Um enxurrada de gente me encheu o saco porque eu critiquei o circo midiático em torno da tal menina de 16 anos e do cara barbudo e chato. Disseram que eu não sabia enxergar as novidades, que as coisas eram legítimas, etc. Pois a realidade mostra que a pulga atrás da minha orelha era verdade.
A "divulgação" do affair entre os dois aconteceu há uma semana. Ontem saiu no Fantástico e na revista Serafina o tal caso dos dois, com discussões e etc. A Serafina chama o barbudo sensível de nova estrela da MPB. A tal menina é descrita como "fenômeno" pop. Hoje saiu uma reportagem da Folha Teen sobre diferença de idade.
Coincidentemente, tanto a garota quanto o cara lançam CD's para o Natal. O dele já saiu, o dela pode ter faixas ouvidas no UOL. Muito bem avaliados pela crítica, bien sur. Cults e bacaninhas, eles estão acima de qualquer suspeita de golpe publicitário. Serão, no máximo, vítimas da mídia. Judiação.
Não é incrível como o destino conspira a favor dos pombinhos?
Enquanto isso, milhares de outros artistas batalham arduamente para ter seu lugar ao sol.
Quer chamar isso de sorte?
PS.:O Alvaro Pereira Jr. (Folha Teen) e o André Forastieri também abordam o assunto. Perdemos a inocência, senhores.
- Como é que vocês estão aí? Eu li na internet que a cidade está debaixo d´água!
- Filho, você não ia reconhecer a cidade, aqui está uma caos! Mas que história é essa desses ataques aí?
- Mãe, a gente nem sabe direito o que fazer. Meu hotel fica bem perto daqueles hotéis de luxo que foram atacados, ontem eu vi um monte de gente morta em sacos plásticos no meior da rua!
- Filho, você não acha melhor voltar?
- Mãe, eu preciso terminar o trabalho aqui. Vocês estão bem?
- Nossa casa não foi atingida, mas estamos sem água. De vez em quando falta luz. Mas na rua de baixo três casas estão condenadas.
- E a minha irmã? Deu notícias?
- Faz dois dias que ela ligou de Buenos Aires. Diz que os cortes de luz lá chegam a durar um dia inteiro, e em alguns bairros não tem água. Ela ligou preocupada porque viu as notícias de Santa Catarina, mas eu é que estou preocupada com ela. Imagine as crianças sem água e sem energia!
- Igual a senhora.
- Igual a mim, filho. Só que pior. Ela tem filhos lá, eu aqui estou sozinha.
- E o papai?
- Sim, eu e o papai.
- Eu saio amanhã desse hotel, o governo acha perigoso ficar nessa área. Vou pra um outro que é ainda mais barato, perto de um posto de polícia.
- Mas não é perigoso ficar perto da polícia?
- Mãe, qualquer lugar é perigoso hoje em dia. Quando eu morei no Rio era perigoso, quando fui pra São Paulo era perigoso.
-Sabe, filho, `as vezes eu fico pensando se isso não é o fim do mundo.
- Fica tranquila, mãe. O mundo já acabou. A gente vive no meio do que sobrou.
-...
- Mãe?
- ...
- Mãe? A senhora ainda está aí? Se a senhora estiver me ouvindo, saiba que está tudo bem. Na semana que vem eles vão mandar a gente pra Tailândia, parece que vão fechar um contrato lá e querem que os engenheiros inspecionem o local. Mãe, a senhora me ouve? Na Tailândia é tudo mais tranquilo. Mãe? Droga, essa merda de telefonia...
Hoje de manhã fui ver "O Médico e os Monstros", belíssima adaptação de Mário Viana para a clássica história de Dr. Jekyl e Mr. Hyde. Uma delícia de peça, destinada principalmente ao público adolescente. E a platéia delira. Não é bobo: tem muita malícia, coisa que adolescente tá cansado de ver, ouvir e falar. Uma peça que respeita o adolescente como espectador. E que respeita o espectador comum com Teatro da melhor categoria.
A direção do Fernando Neves é precisa no timing, e sabe valorizar o que cada ator tem de melhor. Trilha incrível, luz incrível, figurinos e adereços idem. E um elenco de babar. Domingos Montagner faz um troço complicadíssimo, faz um Dr. Jekyl sensacional. Claudio Carneiro e Fernando Sampaio são geniais, e fazem das referências cênicas um prazer `a parte. Carol Badra e Keyla Bueno, impagáveis. Fábio Espósito, mundialmente o Xepa, é de tirar o fôlego. Juntos, criam um universo delicioso, fantasticamente fake e bacana. Trabalho magnífico.
O trabalho que o La Minima vem fazendo, ao longo de onze anos, é de tirar o chapéu. Os caras são de uma criatividade e coerência artísticas raros de se presenciar. Além de "O Médico e os Monstros", em cartaz na FIESP (não, eu não sei os horários!!!), eles estão em cartaz com a elogiada "A Noite dos Palhaços Mudos", junto com o Xepa.
A peça está em cartaz `as quartas e quintas, 21h00, lá no Espaço Parlapatões. E a temporada acaba na segunda quinzena de dezembro.
Moçada, só posso agradecer a honra de poder ver um trabalho tão bom como o de vocês.
Então um amigo me manda um link, pra ouvir a tal Mallu Magalhães. Sabe que a menina é boa? Como diz o Ivam Cabral, não é nada demais. Mas ela faz bonitinho. (ontem postamos os dois sobre ela, engraçadas essas coincidências)
De qualquer forma, torço pra ela não cair na armadilha do sucesso fácil. Quanto ao tal do barbudo Camelo, boring.
De repente eu soube que tem uma menina que faz sucesso, embora ninguém que eu conheça saiba uma música dela. O nome é Mallu Magalhães, nova estrela alternativa e cult produzida pela mídia. Nada contra, ela que seja feliz.
Aí vira notícia em tudo quanto é ligar que ela namora o tal do barbudo dos Los Hermanos Chatos. O tal do Marcelo Camelo, que faz umas musiquinhas bem meia-boca. Outro chatonildo cult.
Então eu vejo a foto, duas pessoas completamente sem graça, sorrindo in love. Na primeira página de todos os sites. Cults, bacanas, hipados (como diria meu amigo Herbie). Tão saborosos quanto água quente com ricota. Tão descolados quanto gel no cabelo.
A importância deles? Nenhuma. Tanta gente bacana pra ser valorizada, e elegem esse mala que resolveu investir na ninfeta gordinha.
Vou colocar Nina Simone bem alto. Pra deixar que ela me salve dessa mediocridade toda.
A Folha de domingo mostra uma feliz pesquisa. Os números do preconceito racial diminuiram sensivelmente. E o número de pessoas que não se considera branca aumentou. Com nosso passado escravocrata, isso é uma vitória da razão.
Toda forma de preconceito deveria ser extinta. Em nome da razão.
Essa é blog Namorado Imaginário, da Flávia Stefani.
O Chico Ribas escreveu, em seu blog, que um monte de gente vem perguntando a razão de ele estar na produção de "Uma Pilha de Pratos na Cozinha". Perguntam se ele não tem medo de ficar rotulado.
Chico, meu caro. Manda esse povo comer alfafa.
O ator que não sabe se produzir fica condenado ao mercado. É o ator das oportunidades que aparecem. O que acata os fatos, não o que os transforma. Um artista que se alimenta das migalhas do Teatro. É o que vira ator de grupo porque não aparece nada melhor, e não por ideologia (quer coisa mais triste que isso?).
O ator que sabe produzir consegue materializar o sonho. Transforma a própria realidade. Se vira cok o que tem, pra mostrar suas idéias e seu valor. É o cara que enxerga a vida de um outro jeito. Muito mais feliz.
Então hoje saiu, na TV Uol, meu mais novo textinho, dentro do programa Tertúlia. "Dona Fora de Hora" é a história de uma puta que vê uma noiva correndo `as lágrimas na Paulista.
A iniciativado programa é do Duilio Ferronato e da Berenice Haddad. E foi uma delícia de fazer. Dentro dos próximos dias deve sair o que fiz como ator, com texto da Ariela Goldman.
A atriz do meu texto é o meu novo fetiche. Patrícia Pichamone, que entrou na terceira temporada de "Últimas Notícias", arrasa.
Ontem estava numa rodinha de amigos. Um conhecido se aproximou. "O que vamos fazer amanhã?" Nada especial. Descansar. "A gente tem que fazer alguma coisa pra comemorar!" Então ele desfilou um rosário de piadas sobre o Dia da Consciência Negra. Ele não é único, já vi muita gente tirar sarro disso. Gente que, obviamente, não parou pra pensar na importância da data. Não se trata de um dia de festa. É um dia de reflexão. Nenhuma raça no mundo sofreu (e sofre) tanto quanto a raça negra. Por tudo que viveram e ainda vivem, essa data serve no mínimo de alerta. Datas comemorativas são simbólicas, claro. Mas também são um marco.
Ontem a Al Qaeda espinafrou o Obama. Disseram que ele é um negro escravo, a serviço dos brancos. E esse é só o começo pro Obama. Mostra como os mais baixos vão atacar.
Racismo é abominável. É hediondo. É desprezível.
Consciência. Não importa a cor. Viva o dia da Consciência Negra.